Após ler um pequeno conto de Clarice Lispector renasci,
Não sou mais a mesma que leu,
não sou mais a mesma que existia antes de ler,
só sou eu agora, morta e renascida...
A 5 minutos atrás, eu era outra,
completamente diferente,
não outra parecida, outra similar,
era algo inexoravelmente diferente,
não era o que sou agora.
Pode ser que no momento em que você estiver lendo,
eu continue a ser a mesma,
pois mudei em 5 minutos o suficiente
para mudar em uma vida...
aprendi em 5 minutos o que se aprenderia em 50...
tudo continha na cabeça da agulha,
na fissão do núcleo atômico que explodi
e contamina quilômetros de distância...
Se espalhou como mágica,
tudo apareceu na minha frente,
a minha vida, os meus erros,
vi-os encarnados, mortos e renascidos...
Tristeza e felicidade invadiram
concomitante e subitamente a minha alma,
meus olhos lagrimejaram sorrindo,
então olhei no espelho e vi meu rosto,
que também não era mais o mesmo.
Não sei quem sou agora,
mas o prazer de conhecer esta nova figura
me atiça, me alegra, me envolve...
Quem é você?
O que tem a me ensinar, a me mostrar?
Com que olhos você enxerga a vida?
Será que seremos felizes assim?
Não escolhi morrer e nascer neste momento,
simplesmente o foi.
E se eu morrer subitamente amanha outra vez sem nem ter me conhecido de novo?
Se for, foi, já vivi o suficiente para nao exagerar nas expectativas...
Ah, que maçada! Deixa eu deixar a hipocrisia de lado!
Que sabedoria de vida que nada, isto é muito demodê.
Se eu morrer de novo antes de conhecer meu novo ser
ficarei decepcionada, estou tão animada por me conhecer,
que ficaria triste de nem ter conhecido-me bem e
já ter de despedir-me para conhecer outra...
Até porque há sempre um abismo entre uma e outra,
às vezes longo, às vezes breve,
mas há.
E não é nada agradável,
não sinto brisas no rosto,
somente o fundo do poço.
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