segunda-feira, 27 de junho de 2011

Anti-transposição (soneto inacabado)

Estava indo em direção a um rio sem mar,
um rio que alguém mudou o percurso e iria secar.
Um processo que se acha certo,

mas a verdade é que não existe certo
e eu ia naufragar...
Não sofrer não é não chorar.



"O ciúme é o perfume do amor."
Vinicius de Moraes - Medo de Amar




[Preciso de 2 estrofes de 4 linhas para iniciar esse soneto...
Um Raul Seixas precisa de um Paulo coelho,
assim como um John Lennon precisa de um Paul McCartney,
assim como Vinicius de Tom Jobim...
assim como Mirella...]

domingo, 26 de junho de 2011

A linguagem do coração

Estava procurando a resposta no lugar errado.
O cérebro não fala a mesma língua do coração.
A língua do coração na verdade não fala,
se comunica por telepatia com a nossa alma.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Saudade e nossa humanidade

Saudade?

Que é isso?

Não existe essa palavra em meu vocabulário úngaro.

Mas no dicionário da minha alma,
existem sinônimos, trinônimos e binômios
dessa palavra.

Escritos assim
nada timidamente,
em itálico, negrito e sublinhado...
piscando até.

"Chega de saudade
a verdade
é que
sem ele não pode ser".

Ah, pode...
Pode até ser...

São nesses momentos
que nos sentimos seres humanos de verdade,
nesses momentos vemos que somos além...
Além do corpo,
Além das palavras ditas,
além das feridas,
além de tudo o que imaginávamos
que podíamos ser.

Sou impulsiva

O que posso fazer, oh Deus, se sou impulsiva?
Se quebro tudo pela frente, fora e dentro, do outro;
Se queimo tudo e transformo em cinzas, o que não é fênix, como eu;
Se não tolero o amargo como tolero o azedo, sem medo;
O que fazer de mim?

O que fazer se depois dos meus atos súbitos, me arrependo,
e mesmo depois de me arrepender tenho orgulho de o dizer?
O que faço com esta pobre alma, esta criança que vive dentro de mim,
que vive a fúria do presente que as lágrimas lavam no futuro
e tudo esquece?

Não sei se sou eu quem muda ou se o que muda é o modo como eu me vejo,
aposto na segunda opção ao escrever o que agora escrevo.
Dizer que me arrependo e que não sei dizer que me arrependo
já é em realidade uma forma de pedir perdão,
e dizer assim, sutilmente, é ser eu.
e pedir perdão é ser humano, mas ainda do que errar.

Tenho plutão na casa III...

Nesse setor, o trabalho sutil e oculto de Plutão afeta a mente e o sistema nervoso, assim como, em geral, tudo aquilo que entendemos por comunicação. A ambivalência do planeta, unida à clássica dualidade desse setor, provoca mudanças drásticas nas atitudes mentais do indivíduo.

Plutão obriga a pessoa a penetrar nas regiões mais obscuras da mente e a transcender intensamente o habitual, coisas que lhe conferem uma maneira de pensar singular, às vezes genial e quase sempre obsessiva. Presença de intensos torvelinhos mentais e tendência à depressão e a pensamentos negativos.

Nesse setor, é muito poderosa a tendência plutoniana de tornar consciente tudo o que é inconsciente. Essa compulsão de mergulhar no oculto de si mesmo e dos outros, de revelar o que descobriu, condena, de modo geral, o indivíduo a experimentar uma constante insatisfação mental, decorrente da dificuldade de tentar comunicar aos outros essas impressões e percepções profundas e, além disso, de faze-lo no mesmo nível de profundidade no qual esse indivíduo atua.

Para seu equilíbrio nervoso, deve comunicar-se com as outras pessoas e, se não pode fazê-lo de forma comum, deve tentá-lo por meio da escrita ou de qualquer outro meio. Necessita expressar seus sentimentos para poder eliminá-los de sua memória.

por Puigross

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Forasteira cabocla

Sou forasteira de mim
fujo daquilo que é meu.

somos maiores e sabemos,
que somos melhores do que queremos,
mas mesmo assim, fugindo, reprimindo
explode.

Um dia explode
e não se pode fazer nada
além de aceitar o inferno no paraíso
de saber ser você
com tudo o que tem dentro
com tanto sentimento
sem saber o porquê.

Em italiano

voglio un amore
cosi bello, cosi grande, cosi vero
come noi.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Vale a pena?

Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar "across the university"
Tem que passar "across the instability"


Paródia do poema "Mar Português" de Fernando Pessoa inspirado numa pérola genial de Renata Cordone.

sábado, 18 de junho de 2011

Olhos lagrimejantes

Após ler um pequeno conto de Clarice Lispector renasci,
Não sou mais a mesma que leu,
não sou mais a mesma que existia antes de ler,
só sou eu agora, morta e renascida...

A 5 minutos atrás, eu era outra,
completamente diferente,
não outra parecida, outra similar,
era algo inexoravelmente diferente,
não era o que sou agora.

Pode ser que no momento em que você estiver lendo,
eu continue a ser a mesma,
pois mudei em 5 minutos o suficiente
para mudar em uma vida...
aprendi em 5 minutos o que se aprenderia em 50...
tudo continha na cabeça da agulha,
na fissão do núcleo atômico que explodi
e contamina quilômetros de distância...
Se espalhou como mágica,
tudo apareceu na minha frente,
a minha vida, os meus erros,
vi-os encarnados, mortos e renascidos...

Tristeza e felicidade invadiram
concomitante e subitamente a minha alma,
meus olhos lagrimejaram sorrindo,
então olhei no espelho e vi meu rosto,
que também não era mais o mesmo.

Não sei quem sou agora,
mas o prazer de conhecer esta nova figura
me atiça, me alegra, me envolve...
Quem é você?
O que tem a me ensinar, a me mostrar?
Com que olhos você enxerga a vida?
Será que seremos felizes assim?

Não escolhi morrer e nascer neste momento,
simplesmente o foi.
E se eu morrer subitamente amanha outra vez sem nem ter me conhecido de novo?
Se for, foi, já vivi o suficiente para nao exagerar nas expectativas...
Ah, que maçada! Deixa eu deixar a hipocrisia de lado!
Que sabedoria de vida que nada, isto é muito demodê.

Se eu morrer de novo antes de conhecer meu novo ser
ficarei decepcionada, estou tão animada por me conhecer,
que ficaria triste de nem ter conhecido-me bem e
já ter de despedir-me para conhecer outra...

Até porque há sempre um abismo entre uma e outra,
às vezes longo, às vezes breve,
mas há.
E não é nada agradável,
não sinto brisas no rosto,
somente o fundo do poço.

Apaixonei-me

Uma paixão súbita e lenta,
ando sentindo esses dias.
Não conseguia achar o destinatário,
não podia, pois não olhava para dentro...

Olhava no espelho e também não via,
não está mesmo fora, está dentro,
apaixonei-me por mim...
Narciso fez a mesma coisa
e isso tem conseqüências...
Medo e moral me limitam [raiva]!.

Que mal tem apaixonar-se por si mesmo?
Porque dizem tanto da valorização,
de amarmos-nos primeiro antes de amar alguém
e depois nos falam de Narciso?
O querem que sejamos?
Eternos infelizes que
quando felizes
amedrontados de que nossa felicidade nos arruine?

Que triste vida esta,
eu maledito todas as teorias anteriores,
eu maledito todas as religiões limitantes,
eu maledito tudo o que veio antes e nos amedrota.

Apaixonei-me por mim,
sinto meu coração bater forte,
um frio na barriga,
meus dedos formigarem...
olho no reflexo do vidro após o banho meu corpo,
e admiro, é tão linda a figura que vejo...
e me impressiona o quão comum sou
e minha humilde forma humana se torna linda,
assim como todas as outras figuras humanas
que hoje admiro com os mesmos olhos que admiro a mim.

A beleza da simplicidade é bonita tanto quanto é real,
não existem defeitos!
Meus seios tamanho 42 não são um defeito,
São o que são.
O que está em nossa alma, assim como, é o que é,
não há defeitos em nós.

Me aceito,
me acalmo,
me acalento,
me amo em cada célula,
isto é paz.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

De onde vem a calma?

Ai meu Deus, porque tão intensa?
Porque tão sensível?
Porque tão briguenta?
Porque tão furiosa?
Porque tão ciumenta?
Porque tanto?

Me dava um tiquinho de cada coisa
e me faria feliz... ou não.
Para que nascer perfeita afinal?

Tenho a vida inteira para me lapidar.
A não ser que eu me afogue em tanta água barrenta
com letras de fogo
escritas pelo Sol.

Em cima do meu rio tem álcool,
uma faísca e a água entra em chamas...
A água fervente do meu estomago me queima,
me faz mal tudo isto em tão grande quantidade.

domingo, 12 de junho de 2011

Tempestade

E não é que o dia virou noite
e as luzes se ascenderam a 1 da tarde,
as roupas parecem mais pesadas,
enquanto a tempestade cai.

E não é que as cabeças baixam,
o medo da chuva estampado
e o fardo parece mais pesado
enquanto a tempestade cai.

E não é que o frio fica mais frio,
as pessoas se protegem na pilastra
e a poça molha a todos quando o ônibus passa
enquanto a tempestade cai.

Porém, não é que o céu se torna azul,
os arco-íris se estampam no céu
e dizem até que espanhol se casa
quando a tempestade passa.

[27-01-09]

sábado, 11 de junho de 2011

Amizade profunda

Era um espirito sim,
falava com ele, sentia ele,
mas quando vi sua forma não o reconheci.

Via, mas não enxergava.
me surpreendi.



À uma amiga...

terça-feira, 7 de junho de 2011

Adriana Calcanhoto

Vem, vambora
Que o que você demora
É o que o tempo leva...

il Vuoto

Dói,
essa falta dói na alma,
dor de fazer careta,
de apertar o peito,
de escorrer o pranto.

Saudade é coisa vagabunda,
tira o meu sossego,
luto e reluto por apenas um ponto,
mas no final ele quer três.
Eis minha ferida aberta outra vez.

O fim só é fim e não talvez,
porque essa insistência calada?
as injúrias veladas
e toda a dor?
A vida é simples, eu juro.

Me vejo na prisão do abismo
do silêncio forçado que intimida,
mas continua a telepatia.
Juro também, que não é o que quero,
qual a relutância ao absoluto?
qual é o erro do resoluto?

Devolva meus pertences,
diga adeus...
faça o que eu mando!
Porque se eu mando,
é o melhor que se tem a fazer, a mim.
Por ódio ou por amor que seja.
Mas veja,
de ti eu só quero o fim.

Me liberte, me deixe ir.
Diga que me odeia, que não sou nada
me faça sofrer, mas de verdade,
me faça sofrer por inteiro!
Não em doses homeopáticas.


[retirei o final original]

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Pobres poemas poluídos

Pobres poemas pobres que ando escrevendo
sem rimas poéticas, nem ao menos com poéticas,
desabafos poluídos e adolescentes sem refino,
porcarias carregando minhas filosofias.

Eita academia cientifica de bosta,
literatura academica inventada por idiotas,
polui a minha poesia, polui o ver de todos,
um bando de teorias que se sobrepõe sem fim de vezes
e convence mostrar verdade.

Estou no limiar das linguagens,
descubro não dar para ser mais dois,
não sou mais duas,
a inteireza limita ao mesmo tempo...

Penso nos esquizofrênicos, neuróticos,
paranóicos, obsessivos...
vêem a vida de um modo único,
mas querem que vejam como todos.

Vejo a vida de dois ângulos,
o cisado do dois e o inteiro do um,
rico? Talvez, você quem sabe.
Sinto falta das habilidades do outro modo de ver,
mas gosto da simplicidade deste,
apesar de normalizado, domado e simples.

Blasè!
Sou intensa, não me interessa o banal!
Cadê minha criatividade, para onde foi?
Foi-se embora junto com a outra que não há,
quando ouve a conjunção, não se vê mais dois
apenas um.

Quando convergem as vistas vemos em dois.
Quando divergem vêem os camaleões.
Quando foco vejo um pedaço,
e deixo de ver todos os outros milhões.

domingo, 5 de junho de 2011

Ser e não ser, eis a resposta.

Mudei de cara,
mudei de casa,
mudei meu status de relacionamento,
minha religião,
minhas opiniões,
minhas amizades,
meu modo de vestir,
meu modo de falar...
...

Onde tudo isto me levará?
Ou melhor, o que me levou a tudo isto?

21 anos,
casa número 11,
o talvez pelo não,
o "um pouco de tudo" pelo único que faz sentido,
metamorfose ambulante,
o joio do trigo,
o certo pelo confortável,
minha voz grave.

Era indefinida em tudo o que (não) era,
andava em circulos em toda a confusão do indefinível.
Hoje a estrada é um fractal,
sei bem das escolhas que tomo,
sou inteira em tudo o que faço.

Expando todo o eu-inteiro pelo mundo,
hoje minha energia não é gasta
a procura de mim,
hoje posso ver o outro,
posso ver o eu no outro,
e também, o outro como ele é.

Tenho energias que se expandem para fora do meu ser,
Luto e sou cruel se for preciso,
Consolo e sou doce quando é necessário,
sou enfim tudo aquilo que escolho.

Dentro de mim há o que eu preciso,
o sutil e o incisivo,
o azul e o vermelho,
o vazio e o cheio,
o 0 e 1,
o ser e o não ser.

Tenho minhas opiniões
e sei brigar ou calar por elas
quando sinto que é preciso.
Tenho meu amor no peito
e sei usá-lo somente para mim,
ou dividí-lo com todos.

Sinto que a partir dessas mudanças
comecei a viver de verdade,
A partir de "não precisar olhar somente para mim" -
pois foi preciso olhar somente para mim por um tempo-
Olhei o mundo e me joguei.

Abri minhas asas...
mas apenas para refrescar o amigo
que sentia calor e estava ao meu lado,
não vou voar e ficar acima dele.