Ultimamente ando pensando muito: "mas como é que fui amiga dessa pessoa um dia?" ou "aonde eu tava com a cabeça pra ficar com esse ser?"
Esses pensamentos me fizeram parar e pensar, o que será que aconteceu de uns 2 anos para cá comigo que me fez perceber isso? Que me fez "perder" tantas amizades(e claro, fazer outras mais coerentes)?
Confesso que antes de iniciar minha busca por auto-conhecimento e consciência corporal eu era uma pessoa muito tímida, com poucos amigos e muito medo de ficar sozinha, isso me fazia bastante resignada e rebaixada perante os outros, eu procurava pessoas fortes para ficar do lado, para quem sabe um pouquinho daquela "fortaleza" passasse a mim por osmose.
Mas isso está longe de ser o que acontecia! Eu atraia para perto de mim pessoas que não ficavam do meu lado pelo que eu era, mas sim por interesses, diversos interesses. Eu era craque em preencher carências afetivas e alimentar egos com a minha aparente fragilidade e docilidade no mais alto estilo Sandy.
Eu não tinha amor próprio, apenas medo de ficar sozinha e assim é impossível se relacionar de igual para igual, olhar nos olhos dos outros e perceber uma outra pessoa, escolher estar ou não ao lado dela e não pedir "por favor seja meu amigo, olha como eu sou boazinha". Eu fui adestrada pela minha educação familiar a ser assim, eu não sou assim!
E hoje, com a auto-estima (palavra infeliz, que não expressa o que eu quero dizer) ok, vejo que deixei muitas pessoas para trás, algumas delas eu até me envergonho de ter tido contato um dia, pela tamanha mediocridade que eu fui capaz de me sujeitar apenas para não ficar sozinha, e claro, também há pessoas legais que simplesmente as cabeças não batem mais.
O que me deixa feliz é que eu não fui de tudo errada, tenho uma amiga que permanece por anos perto de mim, uma, uma única. Todos os outros que eu conheci de 3 anos para trás (data coincidente com a minha entrada na faculdade e alforria de minha família) não tenho mais contato por pura e espontânea vontade.
A maioria deles não sabe lidar com a Mirella real, fica buscando através de atitudes a Mirella Sandy que morreu junto com o nascimento da minha maturidade. Hoje em dia dia eu quero trocas maduras, trocas de ideais, de afeição, de novidades... Trocas verdadeiras e sinceras, não unilateralidade nem não poder me afastar se não me interessa o que a pessoa tem para trocar, porque isso acontece.
As vezes eu simplesmente não me interesso pelo que a pessoa tem a dizer, não me interesso pela postura dela diante a vida, não concordo com o preconceito ou o racismo (já namorei um facista, olha isso!), as energias não batem ou depois de um tempo eu percebo que a pessoa não era aquilo que eu pensava e tudo bem, tchau, até um dia dia quem sabe. Não sou obrigada, nem ninguém, a manter uma amizade ou um relacionamento que não dá prazer em estar junto, isso é masoquismo!
Enfim, hoje em dia tenho mais amigos por ser autentica do que tinha quando era Sandy, e melhor! São amigos verdadeiros em que as trocas me enriquecem cada dia mais e me deixam feliz de estar cercada de tantas pessoas que admiro pelo que são e o que fazem de bom para o mundo.
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