Quando eu me perdoo, eu perdoo o mundo inteiro.
Não há nada que alguém tenha feito a mim
Que eu não poderia ter feito a alguém
exatamente nas mesmas circunstâncias vividas.
Se hoje sou quem sou e me envergonho dos erros feitos,
o outro também se arrependerá,
E ao final
chegaremos a mesma conclusão.
Ao olharmos a lua refletida em vários lagos
veremos que a lua é uma só
e as imagens são como nós,
que pensamos ser diferentes
mas somos reflexo da mesa fonte.
Cotidiano comum
Meu cotidiano e as reflexões sobre ele...
segunda-feira, 22 de julho de 2013
segunda-feira, 8 de julho de 2013
Quem odeia funk?
Mais um MC morreu este final de semana.
Com essa nova morte quero aqui comentar sobre duas coisas: como são apuradas as mortes de MC's pela mídia (e pela polícia) e sobre quem odeia funk .
Na baixada santista houve assassinatos em série de MC's há pouco tempo atrás que eu não esqueci e não vou esquecer nunca. MC pra mim é antes de tudo artista, e artista que canta sobre uma certa realidade que incomoda muita gente: a realidade da favela. Por isso muitos deles são odiados pelas classes mais altas e pela polícia.
O fato é, vários MC's foram mortos e até hoje eu não vi notícias sérias sobre o apuramento das mortes, apenas pequenas notas que logo são silenciadas. A lista de MC´s assassinados é grande, entre eles:
- MC Daleste;
- MC Primo;
- MC Careca;
- Duda do Marapé;
- Felipe Boladão...
Enfim, em uma pequena pesquisa, tive conhecimento de que, como eu suspeitava, as mortes dos MC's ganham pouca repercussão na mídia brasileira. E por quê?
Pelo que eu tenho conhecimento, eles não são poetas simbolistas, são realistas/naturalistas. Cantam sobre uma realidade que existe e existe não só na favela. Cantam a realidade que os "playba" não querem que divulguem, mas pobre tem o bocão, pobre fala claramente sobre sexo, crime, dinheiro, ostentação... Uma vida que perpassa pelas classes altas também, mas fica escondida.
Sobre as mortes, no Brasil não há pena de morte. E outra coisa, não se cala ninguém, porque desde a constituição de 1988 a livre expressão é um direito de todo cidadão.
A opinião da classe média só expressa a impunidade contra os marginalizados da nossa sociedade. Abri o vídeo que mostra o momento em que o MC Daleste foi baleado e há logo um comentário com uma pessoa dizendo que está rindo muito ao ver o vídeo do assassinato. Chocante, pelo menos para mim.
Há tags sendo lançadas no mundo do funk desde ontem dizendo #ofunkacordou. Eu espero que sim. Acredito que só com passeatas consigamos o que a classe média conseguiu com seus mortos políticos da ditadura.
Queremos justiça dos mortos da favela também, das torturas (que negando a constituição em vigor) ainda acontecem nos becos e de todos os abusos sofridos na periferia.
Com essa nova morte quero aqui comentar sobre duas coisas: como são apuradas as mortes de MC's pela mídia (e pela polícia) e sobre quem odeia funk .
Na baixada santista houve assassinatos em série de MC's há pouco tempo atrás que eu não esqueci e não vou esquecer nunca. MC pra mim é antes de tudo artista, e artista que canta sobre uma certa realidade que incomoda muita gente: a realidade da favela. Por isso muitos deles são odiados pelas classes mais altas e pela polícia.
O fato é, vários MC's foram mortos e até hoje eu não vi notícias sérias sobre o apuramento das mortes, apenas pequenas notas que logo são silenciadas. A lista de MC´s assassinados é grande, entre eles:
- MC Daleste;
- MC Primo;
- MC Careca;
- Duda do Marapé;
- Felipe Boladão...
Enfim, em uma pequena pesquisa, tive conhecimento de que, como eu suspeitava, as mortes dos MC's ganham pouca repercussão na mídia brasileira. E por quê?
Pelo que eu tenho conhecimento, eles não são poetas simbolistas, são realistas/naturalistas. Cantam sobre uma realidade que existe e existe não só na favela. Cantam a realidade que os "playba" não querem que divulguem, mas pobre tem o bocão, pobre fala claramente sobre sexo, crime, dinheiro, ostentação... Uma vida que perpassa pelas classes altas também, mas fica escondida.
Sobre as mortes, no Brasil não há pena de morte. E outra coisa, não se cala ninguém, porque desde a constituição de 1988 a livre expressão é um direito de todo cidadão.
A opinião da classe média só expressa a impunidade contra os marginalizados da nossa sociedade. Abri o vídeo que mostra o momento em que o MC Daleste foi baleado e há logo um comentário com uma pessoa dizendo que está rindo muito ao ver o vídeo do assassinato. Chocante, pelo menos para mim.
Há tags sendo lançadas no mundo do funk desde ontem dizendo #ofunkacordou. Eu espero que sim. Acredito que só com passeatas consigamos o que a classe média conseguiu com seus mortos políticos da ditadura.
Queremos justiça dos mortos da favela também, das torturas (que negando a constituição em vigor) ainda acontecem nos becos e de todos os abusos sofridos na periferia.
sexta-feira, 14 de junho de 2013
Tática de Guerra contra passeata
Muita gente escrevendo sobre o ato de ontem, escreverei tb.
Sendo filha de um ex militar do exército fui educada sempre olhando os 4 cantos do horizonte, alerta a qquer anormalidade que pudesse me ameaçar, tanto no mato qnto na cidade.
O que eu vi ontem foram variadas táticas de guerra, que aprendi com meu pai, contra manifestantes pacíficos. Vamos aos fatos:
A ação da polícia começou ainda na concentração, prendendo pessoas que levavam vinagre e iam ao ato, logo que saíram do metro.
A polícia colocou infiltrados dentro da manifestação que perguntavam mtas coisas para tentar coletar informações sobre organizadores e xingando a polícia sem sentido.
A polícia cercou a manifestação por todos os lados antes de agir: atrás, na frente, pelas laterais e por cima com o helicóptero águia! (olha quanto dinheiro seu indo pelo ralo!)
Não bastasse isso, a choque já estava de prontidão nas ruas paralelas a consolação, na qual eles jogam bombas bem no meio e já esperava que as pessoas se dispersassem pelas laterais.
Eles estavam em bem menor quantidade, com 20 mil pessoas não dariam conta, mas dividindo a multidão e a tropa pelas ruas locais, mais estreitas inclusive, criaram a emboscada para prender o número absurdo de 241 manifestantes.
Eu no meio disso tudo? Quando percebi que a emboscada estava sendo armada e estavamos sendo levados que nem gado a uma rua sem saída pela choque, fui (com tristeza) embora.
Sendo filha de um ex militar do exército fui educada sempre olhando os 4 cantos do horizonte, alerta a qquer anormalidade que pudesse me ameaçar, tanto no mato qnto na cidade.
O que eu vi ontem foram variadas táticas de guerra, que aprendi com meu pai, contra manifestantes pacíficos. Vamos aos fatos:
A ação da polícia começou ainda na concentração, prendendo pessoas que levavam vinagre e iam ao ato, logo que saíram do metro.
A polícia colocou infiltrados dentro da manifestação que perguntavam mtas coisas para tentar coletar informações sobre organizadores e xingando a polícia sem sentido.
A polícia cercou a manifestação por todos os lados antes de agir: atrás, na frente, pelas laterais e por cima com o helicóptero águia! (olha quanto dinheiro seu indo pelo ralo!)
Não bastasse isso, a choque já estava de prontidão nas ruas paralelas a consolação, na qual eles jogam bombas bem no meio e já esperava que as pessoas se dispersassem pelas laterais.
Eles estavam em bem menor quantidade, com 20 mil pessoas não dariam conta, mas dividindo a multidão e a tropa pelas ruas locais, mais estreitas inclusive, criaram a emboscada para prender o número absurdo de 241 manifestantes.
Eu no meio disso tudo? Quando percebi que a emboscada estava sendo armada e estavamos sendo levados que nem gado a uma rua sem saída pela choque, fui (com tristeza) embora.
sexta-feira, 12 de abril de 2013
A fala do alienado com relação a maioridade penal
Nem me fale sobre esse lance da maioridade pena, o sistema já alienou o povo todo. Já acreditam que o crime é algo da personalidade, da genética, é maldade individual de um degenerado, marginal que deve sofrer e apodrecer atrás das grades.
Mas se fosse vc, seu filho, seus netos, a coisa mudaria... Ou não, tem gente que acredita tanto que a cadeia resolve, que acharia um bem deixar seus entes queridos atrás das grades para aprender a não transgredir mais as regras.
A maldade está mesmo no outro, não em todo mundo. Eu sou bonzinho, eu não seria capaz de matar, eu não seria capaz de roubar se estivesse com fome, porque o lucro do outro, os bens de consumo do outro é algo sagrado, tá na biblía: não roubarás.
O filho do pobre que tenha aquela educação ruim, que eu sei que é ruim. O meu tá na melhor escola, porque vc sabe né, é dificil conseguir um emprego sem qualificação. Mas quem não tem qualificação é porque não se esforçou! Ou os pais não se esforçaram, porque as oportunidades estão aí para todos (que tem dinheiro no bolso).
Prendam o marginal para proteger meus bens e minha família! Nós somos gente de bem, não quero misturar minha linhagem com esses degenerados. Tirem eles das minhas vistas! Quero fingir que não existem, quero fingir que não sou culpado por isso, quero fingir que sou culto, que não sou alienado.
Mas se fosse vc, seu filho, seus netos, a coisa mudaria... Ou não, tem gente que acredita tanto que a cadeia resolve, que acharia um bem deixar seus entes queridos atrás das grades para aprender a não transgredir mais as regras.
A maldade está mesmo no outro, não em todo mundo. Eu sou bonzinho, eu não seria capaz de matar, eu não seria capaz de roubar se estivesse com fome, porque o lucro do outro, os bens de consumo do outro é algo sagrado, tá na biblía: não roubarás.
O filho do pobre que tenha aquela educação ruim, que eu sei que é ruim. O meu tá na melhor escola, porque vc sabe né, é dificil conseguir um emprego sem qualificação. Mas quem não tem qualificação é porque não se esforçou! Ou os pais não se esforçaram, porque as oportunidades estão aí para todos (que tem dinheiro no bolso).
Prendam o marginal para proteger meus bens e minha família! Nós somos gente de bem, não quero misturar minha linhagem com esses degenerados. Tirem eles das minhas vistas! Quero fingir que não existem, quero fingir que não sou culpado por isso, quero fingir que sou culto, que não sou alienado.
terça-feira, 5 de fevereiro de 2013
Conversa de metrô
Estava eu, morta de sono na linha 4 amarela do metrô sentada de olhos fechados. Ao meu lado sentaram duas moças, de sei lá a idade, pareciam bem ensino médio, deviam ter uns 18 anos. Elas planejavam a viagem de carnaval.
Se queixavam que dessa vez iriam ficar numa casa com 14 pessoas e 1 banheiro. Qualquer um se preocuparia com isso, é realmente preocupante pensar que o vaso e o ralo podem entupir no primeiro dia e você se ferrar nos outros 4. Até aí beleza.
Meu comichão interno começou quando uma delas falou sobre uma viagem que foi "qualidade de vida". Sério, ela não sabe a definição de qualidade de vida. Para ela "qualidade de vida" era sair pra se divertir, deixar o quarto uma zona, bem porcão mesmo, com uma pilha de louça do tamanho dela na cozinha e quando chegar em casa estar tudo limpo. Disse: "na casa de praia de não sei quem, que tem empregada, todo dia a gente saia, deixava a casa uma zona e quando voltava estava tudo limpo e arrumado, isso sim é qualidade de vida!" ¬¬.
Entenda a minha ira: eu estudo terapia ocupacional e estou HÁ 5 ANOS ESTUDANDO COMO MELHORAR A QUALIDADE DE VIDA DAS PESSOAS! Pohan, se sua qualidade de vida depende da exploração de outras pessoas para arrumar o espaço em que você vive, você desarruma e você faz a sujeira, me desculpa mas eu não compactuo com a sua "qualidade de vida ilusória e superficial". Enquanto a qualidade de vida de uma pessoa existir apenas em detrimento da qualidade de vida de outras pessoas, não existe qualidade de vida, existe poder aquisitivo.
Segundo, qualidade de vida é um conceito muito abstrato e singular, cada um tem a sua forma de senti-lo, porém no geral qualidade de vida é bem estar, ou seja, sentir-se feliz, confortável, tranquilo, sem dores, estar implicado no seu próprio cuidado e no cuidado com os outros e o mundo, afinal, não vivemos numa bolha e o estado do ar que a gente respira ou o bom humor do nosso vizinho influencia na nossa qualidade de vida.
Não existe qualidade de vida individual, uma hora ou outra a merda que você esconde de baixo do tapete esparrama e sua qualidade de vida vai para o esgoto... Falando nisso eu espero sinceramente que o vaso sanitário da casa onde essa moça vai passar o carnaval entupa no primeiro dia da viagem, e o ralo também!
Se queixavam que dessa vez iriam ficar numa casa com 14 pessoas e 1 banheiro. Qualquer um se preocuparia com isso, é realmente preocupante pensar que o vaso e o ralo podem entupir no primeiro dia e você se ferrar nos outros 4. Até aí beleza.
Meu comichão interno começou quando uma delas falou sobre uma viagem que foi "qualidade de vida". Sério, ela não sabe a definição de qualidade de vida. Para ela "qualidade de vida" era sair pra se divertir, deixar o quarto uma zona, bem porcão mesmo, com uma pilha de louça do tamanho dela na cozinha e quando chegar em casa estar tudo limpo. Disse: "na casa de praia de não sei quem, que tem empregada, todo dia a gente saia, deixava a casa uma zona e quando voltava estava tudo limpo e arrumado, isso sim é qualidade de vida!" ¬¬.
Entenda a minha ira: eu estudo terapia ocupacional e estou HÁ 5 ANOS ESTUDANDO COMO MELHORAR A QUALIDADE DE VIDA DAS PESSOAS! Pohan, se sua qualidade de vida depende da exploração de outras pessoas para arrumar o espaço em que você vive, você desarruma e você faz a sujeira, me desculpa mas eu não compactuo com a sua "qualidade de vida ilusória e superficial". Enquanto a qualidade de vida de uma pessoa existir apenas em detrimento da qualidade de vida de outras pessoas, não existe qualidade de vida, existe poder aquisitivo.
Segundo, qualidade de vida é um conceito muito abstrato e singular, cada um tem a sua forma de senti-lo, porém no geral qualidade de vida é bem estar, ou seja, sentir-se feliz, confortável, tranquilo, sem dores, estar implicado no seu próprio cuidado e no cuidado com os outros e o mundo, afinal, não vivemos numa bolha e o estado do ar que a gente respira ou o bom humor do nosso vizinho influencia na nossa qualidade de vida.
Não existe qualidade de vida individual, uma hora ou outra a merda que você esconde de baixo do tapete esparrama e sua qualidade de vida vai para o esgoto... Falando nisso eu espero sinceramente que o vaso sanitário da casa onde essa moça vai passar o carnaval entupa no primeiro dia da viagem, e o ralo também!
Caricatura tragicômica da italiana pobre
Amo ser a caricatura tragicômica da italiana pobre, adooooro:
- ir na rodoviária do Tietê e em aeroportos,
- fazer feira na xepa e olhar de fora a fora os preços,
- sacudir a toalha de mesa na janela,
- gritar o nome dos amigos na rua, dentro de estabelecimentos e pela janela do meu apê,
-sair pela rua chorando,
- fazer comida com as mãos: biscoitos, pães e tortas,
-dar gargalhadas em horas impróprias,
-bocejar bem alto quando o assunto está entediante,
- ir na 25 de março e entrar em todas as lojas comprando tudo e mais um pouco,
- fazer hidratação no cabelo com sacola de supermercado na cabeça,
- ir em mercadinho de bairro (sempre tem umas marcas bizarras de refrigerante),
- Escrever cartas,
- arroz com feijão e batata frita,
- praia com gente pobre, em que ninguém tem plástica e é feliz.
A vida é mais engraçada e divertida na pobreza (veja Chaves e Os trapalhões), porque etiqueta é muito entediante!!
- ir na rodoviária do Tietê e em aeroportos,
- fazer feira na xepa e olhar de fora a fora os preços,
- sacudir a toalha de mesa na janela,
- gritar o nome dos amigos na rua, dentro de estabelecimentos e pela janela do meu apê,
-sair pela rua chorando,
- fazer comida com as mãos: biscoitos, pães e tortas,
-dar gargalhadas em horas impróprias,
-bocejar bem alto quando o assunto está entediante,
- ir na 25 de março e entrar em todas as lojas comprando tudo e mais um pouco,
- fazer hidratação no cabelo com sacola de supermercado na cabeça,
- ir em mercadinho de bairro (sempre tem umas marcas bizarras de refrigerante),
- Escrever cartas,
- arroz com feijão e batata frita,
- praia com gente pobre, em que ninguém tem plástica e é feliz.
A vida é mais engraçada e divertida na pobreza (veja Chaves e Os trapalhões), porque etiqueta é muito entediante!!
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013
Autonomia total
Entrei no ônibus, mostrei ao cobrador uma nota de cinco, pois não tinha crédito no bilhete, é quase obrigatório usar bilhete em São Paulo para pagar passagem. Ele disse estar sem troco, pediu de um jeito um tanto ríspido que eu me sentasse nos bancos da frente.
No próximo ponto desceriam duas garotas, que também estavam na frente pela falta de troco no caixa do ônibus. O cobrador avisou que desceriam na frente, elas pararam em frente a porta, mas o motorista não abriu, encarrou-as um tempo e depois perguntou se não iriam pagar. Elas disseram que não tinha troco outra vez, como se ele não tivesse ouvido o cobrador dizer, e com a mesma cara fechada, abriu finalmente a porta.
Ao descerem o cobrador comentou: "também, nota de 20 a essa hora..." e os dois compartilharam do escárnio, quando eu interpelei dizendo: "mas minha nota é de 5 reais e você também não tem troco". Ele me olhou surpreso e com desdém , e os dois terminaram o assunto.
A 100 m dali duas mulheres passavam na calçada, bem arrumadas, como se fosse a uma festa. O motorista buzinou para elas e comentou ao cobrador: "devem estar indo trabalhar... isso sim é trabalho duro! (risos, compartilhados com o amigo)".
Bem, o ônibus ia andando e chegaria logo a hora de descer, fiquei um pouco apreensiva, depois desse desfile de absurdos eu só queria sair dali correndo, se pudesse me jogava da janela. Mas enfim, fiquei firme, apertei o botão para pedir a parada, fiz carão de brava, fiquei de pé e segurei firme nos canos. O motorista começou a ir cada vez mais rápido nas rotatórias da USP, como se quisesse me derrubar, pensei até que não fosse parar no ponto, mas para a minha surpresa ele parou, porém não abriu a porta da frente, mas sim a de trás! E como não desceu ninguém ele já estava fechando para sair com o carro.
Eu falei: "vou descer por aqui, ele não tem troco", e ele: "o botão é para anunciar a saída pela porta de trás!". Fiz uma cara blasé e saí. Dei dois passos e comecei a chorar, não por mim, por eles. Foi um momento tão trágico quanto único. Eu chorando por causa da ignorância humana vivenciada.
A autonomia total aonde entra? Em todas as reflexões que essa história me levou, que não cabe a mim descrever, afinal, pensamentos são desconexos e só fazem sentido dentro da trama complexa de tudo o que já vivemos, lemos, pensamos...
No próximo ponto desceriam duas garotas, que também estavam na frente pela falta de troco no caixa do ônibus. O cobrador avisou que desceriam na frente, elas pararam em frente a porta, mas o motorista não abriu, encarrou-as um tempo e depois perguntou se não iriam pagar. Elas disseram que não tinha troco outra vez, como se ele não tivesse ouvido o cobrador dizer, e com a mesma cara fechada, abriu finalmente a porta.
Ao descerem o cobrador comentou: "também, nota de 20 a essa hora..." e os dois compartilharam do escárnio, quando eu interpelei dizendo: "mas minha nota é de 5 reais e você também não tem troco". Ele me olhou surpreso e com desdém , e os dois terminaram o assunto.
A 100 m dali duas mulheres passavam na calçada, bem arrumadas, como se fosse a uma festa. O motorista buzinou para elas e comentou ao cobrador: "devem estar indo trabalhar... isso sim é trabalho duro! (risos, compartilhados com o amigo)".
Bem, o ônibus ia andando e chegaria logo a hora de descer, fiquei um pouco apreensiva, depois desse desfile de absurdos eu só queria sair dali correndo, se pudesse me jogava da janela. Mas enfim, fiquei firme, apertei o botão para pedir a parada, fiz carão de brava, fiquei de pé e segurei firme nos canos. O motorista começou a ir cada vez mais rápido nas rotatórias da USP, como se quisesse me derrubar, pensei até que não fosse parar no ponto, mas para a minha surpresa ele parou, porém não abriu a porta da frente, mas sim a de trás! E como não desceu ninguém ele já estava fechando para sair com o carro.
Eu falei: "vou descer por aqui, ele não tem troco", e ele: "o botão é para anunciar a saída pela porta de trás!". Fiz uma cara blasé e saí. Dei dois passos e comecei a chorar, não por mim, por eles. Foi um momento tão trágico quanto único. Eu chorando por causa da ignorância humana vivenciada.
A autonomia total aonde entra? Em todas as reflexões que essa história me levou, que não cabe a mim descrever, afinal, pensamentos são desconexos e só fazem sentido dentro da trama complexa de tudo o que já vivemos, lemos, pensamos...
Assinar:
Comentários (Atom)