sábado, 10 de setembro de 2011

Mar de mim

Me jogo no mar de mim,
descubro-me mais profunda do que pude
ver de profundo todo este tempo.

Sou na verdade um pedaço de Edith Piaf,
uma nota de Janis Joplin, de Maysa, de Laura Pausini,
não, não é cena, é performance,
sou eu ali também.

Você quer sentir um pouco de mim?
coloque aquelas musicas bregas
da época dos bailinhos que sua avó ia,
lá, bem no meio do salão,
pensando no amor que perdi,
estarei eu, dançando...

Estarei eu com meu semblante blasé,
minha maquiagem retrô,
meu cheiro, minha aura, meus mistérios,
meu olhar...

Sinto-me entrar de cabeça no mar de mim,
um mar em que eu afogava os que me amavam
e que hoje sou eu quem mergulho...
Criaturas bizarras das fossas mariana vejo!
Peixinhos a bailar no meu límpido mar,
um navio afundado e cheio de limo vejo.

O que me importa descobrir-se assim profunda,
hoje que não tenho ninguém para amar?
O que me importa ver o sem fim de amor
que mora em meu coração o mais brega possível,
se vou dormir sozinha chorando?

Se não vou querer sair na boemia sem ver seus olhos,
se vou ficar ouvindo músicas para velar minha tristeza,
fumar um cigarro pensando em você,
sentir minha boca fria e seca sem a sua por perto.

Oh sofrimento humano do impalpável,
me dê pé,
me dê pé nesse mar de mim,
onde eu nado, nado e nunca acaba
o amor que sinto,
fica mais profundo.

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