domingo, 18 de setembro de 2011

Pequena demais

sou pequena demais para tudo isso,
meu pequeno coração bate forte,
quase explode.

Meu corpo se sacode,
como um peixe fora d'agua,
o corpo fora das emoções.

A eletricidade é muita,
sinto choque nos dedos,
ouço até o estalido.

Tudo na vida foi importante até hoje,
cada fragmento,
cada pedacinho.

sábado, 10 de setembro de 2011

Fingimento?

Por que fingir tanto meu deus, por quê?

Porque o amarelo não é amarelo no escuro,
é negro.

Palavra viva

Minha cabeça dói,
são as palavras querendo sair e ir para o mundo
não comporto-as tantas, só, na minha mente.

Vão para as paredes, para os livros, para as telas,
vão aonde os olhos as possam ver, ou ler.
Livrem-me da dor de tê-las apenas para mim,
se pedem tanto para sair, que saiam!

Não queria que fossem,
pois nem mesmo eu acredito em todas vocês,
pois nem eu mesmo as entendo,
sou uma mera expectadora da sua liberdade...

Ai de mim o tanto que finjo
o tanto que sofro, o tanto que morro
se não morresse de verdade a cada vez que escrevo,
e se não escrevo, pior,
o defunto fede mais, putrefa dentro de mim.

Que tenham as baleias mortas a vida quando escrevo
ou a morte estampada no último instante da vida.

Cadáver

Muitas coisas não significam nada, apesar de parecerem.

O lençol encobre os corpos e mostram formas ondulosas
mas a realidade abaixo não podemos ver,
a não ser que tirem o lençol e develem-se os corpos.

Profundezas

Tudo o que eu encontro não está na profundidade que eu quero,
quero entrar, submergir, afundar num mundo obscuro.
Quero uma arte que me leve a este mundo, que me faça sentir isto,
o inexpressivel em palavras, o sentir profundo.

Por que sempre mais e mais?
Por que o comum não satisfaz?
Por que o que fazia sentido hoje não faz?

Queria pular num poço,
um poço escuro e profundo
mesmo sem saber onde este poço me levaria,
só queria que fosse profundo... e escuro,
nada mais.

O sentir profundo e escuro é unico
e poucos são os símbolos que nos levam a isto,
poucas são as chaves, as portas, os portais...
e eu quero sentir isso.

Não quero que aliviem essa angústia,
não quero o dedo que diz ser malígno,
que diz ser inferno, que diz ser baixo...
o que está abaixo é o que está acima.

Sinto plutão dentro de mim
e toco o inconsciente dos seres,
sublimo minha lama na lama deles.

ahhhhhhhhh
Dilacera.
Ahhhhhhhhh
Vida.
Ahhhhhhhhh
Cronos.

Você está me matando Cronos!
Esta vida dilacera minha alma.

Mar de mim

Me jogo no mar de mim,
descubro-me mais profunda do que pude
ver de profundo todo este tempo.

Sou na verdade um pedaço de Edith Piaf,
uma nota de Janis Joplin, de Maysa, de Laura Pausini,
não, não é cena, é performance,
sou eu ali também.

Você quer sentir um pouco de mim?
coloque aquelas musicas bregas
da época dos bailinhos que sua avó ia,
lá, bem no meio do salão,
pensando no amor que perdi,
estarei eu, dançando...

Estarei eu com meu semblante blasé,
minha maquiagem retrô,
meu cheiro, minha aura, meus mistérios,
meu olhar...

Sinto-me entrar de cabeça no mar de mim,
um mar em que eu afogava os que me amavam
e que hoje sou eu quem mergulho...
Criaturas bizarras das fossas mariana vejo!
Peixinhos a bailar no meu límpido mar,
um navio afundado e cheio de limo vejo.

O que me importa descobrir-se assim profunda,
hoje que não tenho ninguém para amar?
O que me importa ver o sem fim de amor
que mora em meu coração o mais brega possível,
se vou dormir sozinha chorando?

Se não vou querer sair na boemia sem ver seus olhos,
se vou ficar ouvindo músicas para velar minha tristeza,
fumar um cigarro pensando em você,
sentir minha boca fria e seca sem a sua por perto.

Oh sofrimento humano do impalpável,
me dê pé,
me dê pé nesse mar de mim,
onde eu nado, nado e nunca acaba
o amor que sinto,
fica mais profundo.

o meu amar...

O mundo vai ficando mais bonito
e minha capacidade de amar mais e além aumenta,
amo a mais pessoas,
amo a mim...

Peguei todo o meu amor por você
e quis dividir pelo mundo, pelas pessoas
para ver se não sobrava nada,
com a esperança de acabar com tudo.

Mas não!
como esperado
quando se fala em amor
quanto mais se dá,
mas multiplica.

E assim, continuo te amando e vivendo
por não saber a utilidade deste amor,
por não entender os mistérios de amar,
por ser errante sim por entre a vida.

Amo-te só
Amo calada,
Amo o mundo todo que me vê feliz
distribuindo o meu amor
e que nem sabe
que no fundo,
o amor que eu dou pra você é o que me faz mais feliz

Sofro, sofro também
sofro mais e além
o pesar de ser só sua
na solidão de te amar,
na solidão de só te querer, sem ver
na solidão escolha minha,
não te culpo
sou mais fiel a tu sozinha
do que junto
não condene
o meu querer.