... Parte do que escrevi para uma amiga. Com modificações.
[...] Vou dizer de mim. Eu sou a Mirella, sempre na adolescência era a autentica nerd magrela com o cabelo horrível que só servia pra tirar várias notas 10 e ser zuada sem nunca responder por ter medo de magoar os que me zuavam (trouxa, banana, tonta... pode falar). Enfim no cursinho dei uma engordadinha, fiz chapinha, larguei o namorado que me aguentou na época que eu era zuada, fiquei loira e me fingi de descolada pra tentar ter mais amigos... e no que isso deu? Insatisfação.
As vezes o que define nossa vida é a música "Ouro de Tolo" do Raul Seixas...
Eu devia estar contente
Por ter conseguido
Tudo o que eu quis
Mas confesso abestalhado
Que eu estou decepcionado...
Porque foi tão fácil conseguir
E agora eu me pergunto "e daí?"
Eu tenho uma porção
De coisas grandes prá conquistar
E eu não posso ficar aí parado...
[...]A gente é o que a gente é, do jeito que gosta de ser e atraimos ou não pessoas que já esperam que a gente seja pelo que veêm no nosso exterior. Há meio que uma leitura da gente pelas pessoas só do primeiro olhar. Mas quando você tenta ser o que não é sofre mais, porque atrai pessoas que esperam alguem que não é você! Aquele exterior montado por você não é você, e isso te decepciona.
No final, você vê que isso te tirou muito mais do que deu. A maior perda foi fazer você se perder no meio das cobranças do mundo e esquecer que há tantas coisas ainda por fazer e que dar tanta importância para o exterior, que a sociedade adora e chama de fútil, é bobagem, só atrai quem não faz bem, quem espera um outro eu.
O meu Eu, não anda com roupas apertadíssimas, não é loira, não chama a atenção de qualquer um. Hoje isso me soa como passado, não desejo isso de novo.
O desejo que eu despertava me fazia bem na hora, no átimo. Depois disso, fim. Todos os homens que eu conheci nessa época não sabem quem sou, afinal aquilo era uma máscara. Sofri por todos depois de pô-la, não atendi as expectativas daquele não Eu. Tenho a minha "sexylidade" própria do jeito que eu sou... morena, baixinha, indígena, sorridente e sei lá mais o que porque não gosto de me definir no papel, me redefino a cada dia. A cada tropeço, cada acerto.
[...] eu achava que ninguém gostava de mim porque eu era magrela e feia, e ainda por cima nerd, ransinza, que tem gosto por hardcore e musica clássica, perfeccionista, tímida, de poucas palavras, que perdoa fácil, que gosta de ficar sozinha em casa, odeia lugares cheios, irônica, eco-chata... tentei mudar tudo isso, mas sempre soou falso e sofrível, é sofrível tentar ser o que não se é. A partir de agora sendo bom ou ruim, aceitável ou não, eu busco voltar a ser o que eu era e gritar p/ o mundo inteiro:
EU TENHO O DIREITO DE SER EU, foda-se VOCÊS!
P.S: Já disse que estou numa fase punk?!
Nenhum comentário:
Postar um comentário