Sabe aquela hora em que você acorda e não sabe muito bem aonde está e tudo é confuso? Ontem nessa exata hora me ocorreu algo curioso.
A porta do meu quarto estava aberta, e da minha cama eu consigo avistar a porta da rua. Nesta, há um tijolo de concreto no rodapé, que a segura quando está aberta.
Da minha cama eu olhei para a direção da porta e vi um papel no chão, estranho, que papel é esse? Olhei de novo, de novo, pisquei 3x e eis que o papel se transformou instantaneamente em tijolo!
Sim, minha visão estava vendo em duas dimensões, e para o meu cérebro aquele algo cinza era um papel, mas bastou eu estranhar aquilo para "do nada" meu cérebro interpretar o mesmo objeto como o comum tijolo de 3 dimensões que está sempre ali.
Isso me lembrou Oliver Sacks, quando diz que não enchergamos nada, tudo o que vemos somos ensinados a ver. São interpretação de um cérebro que vem sendo condicionado e educado desde que nasceu a ver o que vê, por isso há coisas invisíveis aos nossos olhos. Não que sejam invisíveis, mas como nosso cerebro não reconhece como algo, não enxerga.
Nascemos enxergando tudo em duas dimensões. Noções de profundidade a gente aprende a enxergar com mais ou menos 2 anos. Sabe aquela idade em que a criança joga todos os objetos no chão? Pois bem, nessa fase a gente aprende o que é profundidade pela demora que o objeto tem até atingir o chão.
Ao olhar um buraco negro, como sabemos o quão profundo ele é ou se ao menos é profundo? Aliás, há tantas miragens no deserto, tantos desenhos sobre ilusão de ótica na internet que não é difícil perceber que a visão é um sentido ilusório.
Baseado nos livros:
Oliver Sacks - "O homem que confundiu sua mulher com um chapéu" e "Um antropólogo em Marte"
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