sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

A maldita mercadoria!

Quem vai em passeatas, atos, manifestações e afins está cansado de ouvir gritos que dizem:

"... educação não é mercadoria!"
"... a mulher não é mercadoria!"
"... o transporte não é mercadoria!"
"... o animal não é mercadoria!"

Mas afinal, o que é mercadoria? No dicionário Michaelis o que se encontra é o seguinte:

mercadoria
mer.ca.do.ri.a
sf (mercador+ia1) 1 Aquilo que é objeto de compra ou venda. 2 Aquilo que se comprou e que se expõe à venda.

Bom... Se algo está coisificado é por alguém e alguém ganha dinheiro com essa objetivação. Mais do que passeatas, penso eu, devemos ir ao foco das nossas reivindicações, a raiz, aos "alguéns" que por pura ganancia desmedida prejudicam a todos nós, não só quem estuda, não somente as mulheres, não apenas quem utiliza-se dos transporte públicos e nem somente os animais.

É hora de boicotar e fazer manifestações de impacto, que atinjam a raiz do problema e não somente outros passantes pela rua que não podem fazer nada ou policiais que são marionetes do Estado e que também não vão mudar nada. Lutar por lutar apenas cansa os militantes e ajuda para que se tornem barrigudos que daqui a alguns anos votando na legenda do PSDB dirão: "eu já fui de esquerda".

Vamos pensar em atitudes que atinjam realmente o bolso desses que transformam em mercadoria o que não é nem nunca deveria ser tratado, pago e visto como tal pela sociedade.

Os sentimentos

Não tenho dúvidas quanto ao fato de que os sentimentos são uma ilusão:
com a mesma intensidade que amo, posso odiar a mesma pessoa.
O que foi construído em anos, pode ser destruído em minutos.

E tudo o que tem início e fim é uma ilusão.

O desafio na maior parte das vezes não é desvelar as ilusões,
mas sim conviver com elas sabendo o que são,
conviver com elas me envolvendo com elas,
não me envolver com elas por razões conscientes,
tentar não reprimi-las
e só observá-las.

-x-

"Sei que não sou minha roupa,
mas não posso andar por aí pelado."

Eis a frase que mudou a minha vida.
É por aí que vou vivendo no meio das ilusões:
sabendo quem sou eu.

Trabalhando no shopping

Sexta é igual a quinta,
que é igual a quarta,
que é igual a terça,
que é igual a segunda,

que só não é igual a domingo,
porque é minha folga.

sábado, 21 de janeiro de 2012

Quero participar de uma ONG de proteção aos animais

Estou procurando uma ONG de proteção animal para fazer parte fisicamente, dando banho, brincando e organizando eventos, e também financeiramente com o pouco que posso.

Nessa busca, na maioria dos sites de ONGs em prol dos animais que estou entrando o que encontro é isso:"existem várias formas de ajudar: contribuições em dinheiro, contribuições em produtos, comprando na nossa loja". O que eu leio é: "existe apenas uma maneira de você ajudar: dando dinheiro, dinheiro e dinheiro para que nós continuemos fazendo os nossos feitos."

Eles não colocam telefone de contato, endereço do local aonde os animais ficam nem nada que possa estreitar o contato para alguém que queira ir ao local conhecer. Parece que querem apenas alguns "mecenas" pra continuar fazendo suas "ações de bondade" por aí. Que isso?! Já passou a hora de caridade, bondade, misericórdia e todos esses adjetivos hipócritas que a Igreja instalou na cabeça de nós ocidentais.

Não espere comprar seu lugar no paraíso fazendo essa caridade, o mundo não precisa dela, é só você que quer se sentir melhor as custas das misérias dos outros (pessoas e animais). E se um dia não tiver mais ninguém sofrendo nem nenhum animal? A sua caridade vai servir pra quem? Sentir pena do outro é se sentir superior a ele, e qual é a necessidade disso para alguém além de si próprio?

Enfim, desabafos a parte eu espero mesmo encontrar uma ONG séria, em que as pessoas não se achem super-heróis nem o máximo pelo que fazem e nem que odeiem seres humanos (pois há uma exaltação na "pureza" animal e "crueldade" humana). Os sites estão cheios de fotos de resgates, de pessoas enfrentando feras violentas atropeladas, verdadeiros "anjos"! E sempre do outro lado da situação há um ser humano cruel que torturou o pobre do animal... Ah! Mas que novela mexicana é essa? De um lado as Marias do Bairro salvando os animais e de outro cruéis Paolas Bracho os abandonando. Me poupe!

Os animais estão nas ruas por falta de políticas públicas responsáveis que vejam a questão do abandono, da não castração e vacinação como um real problema, tanto para os animais quanto para as pessoas. O que nós fazemos será sempre um paliativo enquanto essas políticas não forem estabelecidas e cumpridas. Eu espero organizar junto com as pessoas passeatas em prol do reconhecimento desses direitos, eventos para arrecadar dinheiro, busca por patrocínio etc, e quanto mais gente melhor!

Afinal: as ONGs são para os animais ou para exaltar o ago de seus organizadores? E essa pergunta se estende para todo tipo de ONG...

A pizza mais deprê da minha vida

Chegou sábado! E isso me lembrou de sábado passado, que aliás parece que foi há 1 mês atrás pra mim.

Eu me encontrava no estado, que eu costumo chamar de "balde de lama". Um estado de vida em que eu não saiu de casa nem pra ir na padaria, não falo com ninguém nem na internet, quase não como e fico pensando e meditando.

Bom, o fato é que eu estava a uns dias com vontade de comer pizza, mas não sei porquê diabos estava esperando ir na casa de algum dos meus amigos pra lançar essa idéia, como se eu só pudesse pedir pizza se estivesse com mais pessoas. Quando eu me dei conta disso eu pensei: "- não preciso esperar nada, posso pedir uma pizza agora mesmo, estou com fome, porque estou me prendendo assim automaticamente sem nem pensar?"

E então eu entrei no site da pizzaria que eu gosto pra pegar o número e pedi uma pizza marguerita, que eu amo. Foi uma emoção! A pizza chegou com aquele cheiro maravilhoso e como eu estava morrendo de fome devorei o primeiro pedaço em mordidas grandes, quase sem sentir o sabor. O primeiro entrou, o segundo mais ou menos e eu comecei a passar muito mal sozinha em casa. A comida não subia nem descia, eu estava entalada e não adiantava nem beber nada. Parecia que meu estomago tinha encolhido muito nesses dias "balde de lama".

Porém, apesar de estar passando muito mal o que realmente me incomodava era não ter ninguém pra me deixar apreensiva se ia conseguir comer mais um pedaço que eu gostei, ver a pizza sumindo na velocidade da luz, conversar, enfim... Descobri que além de ser um alimento maravilhosamente perfeito a pizza remete a mim pessoas e essa atitude de comprar uma pizza inteira sozinha foi uma das coisas mais depressivas que eu já fiz na minha vida e que não vão se repetir. Não consegui comer ela inteira nem em 3 dias e tive que jogar fora 2 pedaços.

Descobri o quanto é impagável dividir uma pizza com 1 ou mais pessoas... São momentos únicos a escolha dos sabores, se vai ser meio a meio, a espera por ela, a chegada, a divisão do preço, quem vai pegar o primeiro pedaço, se vai sobrar o sabor que você quer comer e todos os pequenos prazeres que pedir uma pizza com os amigos trás (a mim).

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Falando sozinho(a)

Outro dia estava dentro do ônibus na av. Rebouças e lá fora sentado na calçada estava um homem aparentemente em situação de rua falando sozinho. Ele não é o primeiro que eu vejo falando sozinho e não é a primeira vez que eu paro para pensar no porquê.

A primeira inclinação é rotular: esquizofrenia! E continuar seu caminho pensando nas mil preocupações diárias. Depois o que eu pensei foi: eles têm necessidade de serem ouvidos e tentam chamar a atenção.

Mas nesse dia eu não pensei nada, esse homem parecia eu mesma dentro de casa falando sozinha. Todo mundo fala um pouco sozinho em casa por várias razões, mas principalmente sem razão nenhuma. Ele é como nós, a única diferença é que a casa dele é a rua.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Tijolo ou jornal?

Sabe aquela hora em que você acorda e não sabe muito bem aonde está e tudo é confuso? Ontem nessa exata hora me ocorreu algo curioso.

A porta do meu quarto estava aberta, e da minha cama eu consigo avistar a porta da rua. Nesta, há um tijolo de concreto no rodapé, que a segura quando está aberta.

Da minha cama eu olhei para a direção da porta e vi um papel no chão, estranho, que papel é esse? Olhei de novo, de novo, pisquei 3x e eis que o papel se transformou instantaneamente em tijolo!

Sim, minha visão estava vendo em duas dimensões, e para o meu cérebro aquele algo cinza era um papel, mas bastou eu estranhar aquilo para "do nada" meu cérebro interpretar o mesmo objeto como o comum tijolo de 3 dimensões que está sempre ali.

Isso me lembrou Oliver Sacks, quando diz que não enchergamos nada, tudo o que vemos somos ensinados a ver. São interpretação de um cérebro que vem sendo condicionado e educado desde que nasceu a ver o que vê, por isso há coisas invisíveis aos nossos olhos. Não que sejam invisíveis, mas como nosso cerebro não reconhece como algo, não enxerga.

Nascemos enxergando tudo em duas dimensões. Noções de profundidade a gente aprende a enxergar com mais ou menos 2 anos. Sabe aquela idade em que a criança joga todos os objetos no chão? Pois bem, nessa fase a gente aprende o que é profundidade pela demora que o objeto tem até atingir o chão.

Ao olhar um buraco negro, como sabemos o quão profundo ele é ou se ao menos é profundo? Aliás, há tantas miragens no deserto, tantos desenhos sobre ilusão de ótica na internet que não é difícil perceber que a visão é um sentido ilusório.


Baseado nos livros:

Oliver Sacks - "O homem que confundiu sua mulher com um chapéu" e "Um antropólogo em Marte"

Trecho de "O natal de Poirot"

- Acho que o presente é o que importa não o passado! O passado tem que sumir. Se tentar-mos manter vivo o passado, acabamos, penso eu, por distorcê-lo. Nós o vemos de maneira exagerada... Sob uma falsa perspectiva.
- Lembro-me perfeitamente de cada palavra e de cada incidente daquela época.
- Sei disso, mas não deveria, querido! Isso não é natural! Você aplica àquela época o julgamento de um menino. Em vez de analizar com a visão mais madura de um homem.

Agatha Christie

[encontrado copiado em um caderno meu de 2008]

Fim do Capítulo

Eis aqui neste escrito, o fim de um capítulo.