Odeio rasgar a minha pele
e me fazer em carne viva,
mas minha nova ideologia não deixa que eu não faça,
sou fiel a mim.
Descobri o quanto é difícil ser verdadeiro a si
quando decidi ser verdadeira a mim
e comecei a olhar para fora
olhando ao mesmo tempo muito para dentro.
O ser de dentro precisa estar em conjunto
com o ser de fora.
É preciso tirar essa máscara que nos esconde.
A couraça que finge nos proteger.
Mas eu odeio fazer isso, porque dói,
porque deixa as minhas feridas a mostra
e deixa também minhas belezas
não queria, preferia esconder também assim como eles.
Por que o faço então?
É simples, só não gosto por timidez
mas isso me faz muito mais feliz, muito mais livre
muito mais Eu, muito mais cooperativa com o outro.
Isso me faz ser fiel a mim,
me faz melhor, me faz ser plena,
me faz sair dos meus limites, transpirar minha essência
e amar a mim mesma do modo mais forte que nunca imaginei me amar.
A timidez sou eu também,
ela também faz parte de mim,
mas hoje,
ela não me impede de nada.
E eis que surge meu amado Fernando Pessoa novamente:
"Fiz de mim o que não soube,
E o que podia fazer de mim não o fiz.
0 dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho, Já tinha envelhecido.
Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
Como um cão tolerado pela gerência Por ser inofensivo
E vou escrever esta história para provar que sou sublime."
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