segunda-feira, 18 de julho de 2011

[Ainda sem título]

Requer tempo
para que o fogo
somente nos dê prazer,
somente nos aqueça do frio.

Se queres sempre mais e mais,
é inevitável queimar-se,
tornar-se negro por fuligem
e viver a dor.

Somente o tempo,
o paciente e sábio tempo,
para nos mostrar que há
de se aprazer sem queimar.

sábado, 16 de julho de 2011

A des-culpa

Meditando sobre o amor penso coisas...
mas só penso nos erros.
Não é tão fácil perceber os acertos,
ainda mais quem acha que só erra,
quem tem culpa,
culpa que deveras sabe de onde vêm...
Pobre humano errante!

Não cair no medo da vaidade
por culpa de estar cometendo um dos 7 pecados
nos ajuda na busca da liberdade interior.
Porque ter medo de ter errado?
Porque ter medo de se achar lindo?
Só por causa daquele dia?
Só por causa daquela espinha?

Nossas belezas suportam nossos erros.
O pior defeito, a pior prisão - e por isso defeito -
é a culpa, é o sentir-se culpado na vida...
Quanto maior a culpa, maior o medo,
e o medo, como se sabe, paraliza,
e a paralização seguida estaguina,
e a estagnação apodrece e fede.

E morrer com uma alma podre e fétida,
deve ser a maior tristeza dessa vida.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Mulher de tempos

Sou uma mulher de tempos...
há tempos de sair,
tempos de entrar.
há tempos de exibir,
tempos de esconder.

São apenas tempos,
nada é fixo,
os nervos trabalham
e não suportam polaridades estáticas,
é pulso
é refluxo,
é vida que pulsa e escorre o sangue nas veias entupidas
com a gordura da batata que comemos no Mc Donald's,
mas mesmo assim a vida continua,
e se vai
e pulsa
e refluxa continuamente...

Sou uma mulher de tempos
e agora é tempo de ser triste.
Mas amanhã,
amanhã é outro tempo...

Pulsar

Meu coração pulsa vermelho
pulsa azul
pulsa amarelo,
mas nao interprete o meu modo de pulsar.

pulsa o corpo
pulsa a cor
a vida
e o formigueiro,
e eu me vou
com meu modo de pensar.

domingo, 10 de julho de 2011

Características minhas e dos cupins!

Após descobrir meu animal de poder (nunca achei que conseguiria), comecei a exatamente 10 minutos a pesquisar sobre esse animal e já me identifiquei muito com ele. No wikipédia mesmo posso selecionar algumas coisas:

- "Cupins podem chegar facilmente ao nono andar de um prédio"

-"Sofrem uma metamorfose gradual"

-"Todos os cupins são eussociais:eussocial é conferido aos animais que apresentam as sociedades mais complexas, ou seja, aqueles que compartilham três características: uma sobreposição de gerações em um mesmo ninho, o cuidado cooperativo com a prole, e uma divisão de tarefas (reprodutores e operárias)"

-"Uma colônia típica é constituída de um casal reprodutor, rei e rainha, que se ocupa apenas de produzir ovos; de inúmeros operários, que executam todo o trabalho e alimentam as outras castas; e de soldados, que são responsáveis pela defesa da colônia."

-"A dispersão e fundação de novas colônias geralmente ocorre num determinado período do ano, coincidindo com o início da estação chuvosa. Nessa época ocorrem as revoadas de alados (chamados popularmente de siriris ou aleluias), dos quais alguns poucos conseguem se acasalar e fundar uma nova colônia."

O sentido oculto em cada afirmação faz parte do meu self e do meu padrão de comportamento mais instintivo e animal, a minha desgraça e a minha salvação, a minha ruína e a minha criação...

sábado, 9 de julho de 2011

O dia em que (re)comecei a viver

Bom, isso não é um texto como os que eu escrevo sempre, esse é um texto comum, uma realidade externa, sem rima, sem construção, sem nada de literário. Ele trata apenas de relatar e marcar o dia de hoje como sendo um dos mais importantes da minha vida.

O que aconteceu por fora, não foi nada de espetacular, mas o que ocorreu por dentro, foi e está sendo maravilhoso. Sinto minha alma pulsar como um grande coração, religada a mim e a tudo o que eu sou a eras e eras. Descobri que sou além dessa vida mediocre cheia de paixões que me entristecem e eu não entendo o porquê. Me senti completa, íntegra, verdadeira, livre, tímida e alegremente Eu! No mais alto sentido de inteireza.

Me senti além dessa vida, que não me deu boas vindas na chegada, mas que é só um pedaço dessa minha grande vida, que vai além de tudo isso. Me sinto com séculos de idade, com diferentes línguas na cabeça, com várias chaves na mão para abrir as portas que me cerram dentro dos meus limites.

Hoje eu tive variadas sensações, muitas inexplicáveis e outras que seriam dispensável que outra pessoa além de mim soubesse... Não sei o que há, mas me sinto mais Eu, como se eu nunca tivesse aparecido a mim, como se uma face antes escondida tivesse sobreposto uma outra que não me era confortável viver, que não era eu. Ainda me sinto estranha por isso, mas o encantamento desse momento se sobrepõe a tudo.

Não acreditava que pudesse haver desligamento da alma à vida para que fosse preciso uma religião para religá-la, a alma sempre tem vida, porém não sabia que a vida pode não ter alma, e , é exatamente isso que trás a infelicidade, o descontentamento e a sensação de desconforto dentro da própria casca. Você sabe que a vida não é só isso (uma incessante busca por coisas e pessoas que não fazem sentido), mas não sabe o que ela é até que sua alma se ligue ao seu eu e se dissolva nos outros em abraços.



(após o primeiro dia da Confraria Brasileira de Tarô... vivência xamânica druida, oficina artística para construir arcanos e uso de cristais e ervas para curas a partir do tarô)

sábado, 2 de julho de 2011

Entrevista Abujamra e Ariano Suassuna

-Naquela época você tinha medo de viajar de avião, daí eu perguntei assim: por quê?
Aí você me disse:
-O avião pode cair num buraco.
-Peraí o carro também pode cair! - disse eu.
Aí você falou:
-Não, mas o buraco do avião acompanha sempre o avião.