Como dizem, lágrimas são palavras não ditas.
Olho para o nada sem pensamento algum, abraço minhas pernas, me sinto confortável e começo a chorar.
Não é possível nomear tal tristeza... não tenho animo para nada, nem sono, nem cansaço... estou atônita.
Não sei o que aconteceu, de repente, não mais que de repente, quando percebi, a pessoa que estava ao meu lado não era mais a mesma. Seu olhar mudou, os assuntos que a motivavam, seu estilo, seu tesão, seu bom gosto, sua educação, tudo.
De repente estava de frente a um estranho, somente um estranho. Eu tentava me enganar pensando "não! meu amor irá voltar a habitar aquele corpo", mas não, não voltava. E eu abraçava, e calava, e olhava... acarinhava, tentava, mas não, não era ele, era outro. Era outro e era ele.
Cadê? Cadê a pele dele?
Só via o medo, só via o nervoso, o receio de um estranho em frente ao outro, uma pele estranha... a mesma pele estranha que tantas vezes fora uma, hoje são duas, três e até mesmo seis que se repelem.
Não o sinto... ouvi dizer que quanto mais tensão, menos sensação e é isso o que vejo em seus olhos: tensão. Eu, que ao menos esperava ver um ser iluminado, sábio e tantas outras coisas que todos buscam, só vi tensão, nervoso e hostilidade. Não se espera a agressividade dos fortes, não se espera...
Já que não veria meu amor, pelo menos que visse alguém melhor.
Já que não seria mais o ser que amo incondicionalmente ao que é, que fosse perfeito.
Mas não, não era.
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