Hoje eu fui na aula de iniciaçao teatral da casa de cultura do butantã, uma superaçao... eu sempre fugi do teatro, mas aprendi a enfrentar meus maiores medos.
Pude sentir muitas amarras que prendem meus movimentos e enrigecem meus músculos, formando uma couraça dura. Quero me despir dela, é minha terceira perna, não me serve mais para nada. Quero ser uma mulher independente, guerreira e decidida sim, mas também quero ser carinhosa, delicada e doce com as pessoas que me rodeiam.
Minha psicóloga/conselheira me pediu para pensar o que eu seria se nao tivesse entrado em um abismo na infancia, eu imaginei, tentando me lembrar do que já fui... no teatro achei um arquétipo disso: uma menina de uns 8 anos, com uma vasta cabeleira, doce e receptiva, sendo somente ela mesma, lendo alto, querendo ensinar os outros... eu não vejo mais isso em mim, me vejo amarga, só pensando no lado negativo dos sentimentos e das relaçoes, não sendo cortez com ninguém e arredia...
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Eu e minha couraça.
Ela está ficando apertada demais em mim,
não está cabendo, quero quebrá-la.
Arrancá-la em mil pedaços no Universo.
E por baixo dela eles verão, todos verão
aquilo que realmente sou,
aquela que somente o meu pai vê
e espera tanto por seu retorno.
Por mim e por você pai,
você verá a Mirella feliz,
simples e livre que nasci.
Mas meu abismo, carregarei.
Não tentarei correr dos meus fantasmas,
hoje já não tenho medo deles,
dos que me ajudaram a me fechar nesta roupa escura e apertada.
Eles estarão sempre ao meu lado,
como uma expêriencia de vida necessária
a minha formaçao e ao futuro o qual desconheço,
mas que a qualquer momento pode requerê-los.
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Numa cena, eu fiz o papel de mãe desta menina a qual me identifiquei, foi um momento importante para mim te-la (ou ter simbolicamente a mim mesma) nos braços e acalentá-la e ver a confiança dela em meus olhos... eu nao podia lhe fazer nenhum mal e ela assim sabia. Coisa que eu não sei mais o que é depois do abismo.
Foi lindo, foi um momento lindo de conciliação entre as minhas crianças internas me ver acalentando a mim mesma, no meio de um palco com todos vendo... não me senti apavorada nem nervosa, estava calma e olhava a menina. Foi realmente lindo o Sol que despontou dentro de mim e eu pude ver!
Finalmente pude ver.
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