sábado, 26 de março de 2011

Escrever amor a mão

Descobri que os meus piores escritos são sobre amor.
Quem sabe pois, porque ele vive para ser vivido,
não escrito.

Há sentimentos em que as palavras são inúteis
elas falham.

Eu e minha couraça

Hoje eu fui na aula de iniciaçao teatral da casa de cultura do butantã, uma superaçao... eu sempre fugi do teatro, mas aprendi a enfrentar meus maiores medos.

Pude sentir muitas amarras que prendem meus movimentos e enrigecem meus músculos, formando uma couraça dura. Quero me despir dela, é minha terceira perna, não me serve mais para nada. Quero ser uma mulher independente, guerreira e decidida sim, mas também quero ser carinhosa, delicada e doce com as pessoas que me rodeiam.

Minha psicóloga/conselheira me pediu para pensar o que eu seria se nao tivesse entrado em um abismo na infancia, eu imaginei, tentando me lembrar do que já fui... no teatro achei um arquétipo disso: uma menina de uns 8 anos, com uma vasta cabeleira, doce e receptiva, sendo somente ela mesma, lendo alto, querendo ensinar os outros... eu não vejo mais isso em mim, me vejo amarga, só pensando no lado negativo dos sentimentos e das relaçoes, não sendo cortez com ninguém e arredia...

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Eu e minha couraça.

Ela está ficando apertada demais em mim,
não está cabendo, quero quebrá-la.
Arrancá-la em mil pedaços no Universo.

E por baixo dela eles verão, todos verão
aquilo que realmente sou,
aquela que somente o meu pai vê
e espera tanto por seu retorno.

Por mim e por você pai,
você verá a Mirella feliz,
simples e livre que nasci.

Mas meu abismo, carregarei.
Não tentarei correr dos meus fantasmas,
hoje já não tenho medo deles,
dos que me ajudaram a me fechar nesta roupa escura e apertada.

Eles estarão sempre ao meu lado,
como uma expêriencia de vida necessária
a minha formaçao e ao futuro o qual desconheço,
mas que a qualquer momento pode requerê-los.

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Numa cena, eu fiz o papel de mãe desta menina a qual me identifiquei, foi um momento importante para mim te-la (ou ter simbolicamente a mim mesma) nos braços e acalentá-la e ver a confiança dela em meus olhos... eu nao podia lhe fazer nenhum mal e ela assim sabia. Coisa que eu não sei mais o que é depois do abismo.

Foi lindo, foi um momento lindo de conciliação entre as minhas crianças internas me ver acalentando a mim mesma, no meio de um palco com todos vendo... não me senti apavorada nem nervosa, estava calma e olhava a menina. Foi realmente lindo o Sol que despontou dentro de mim e eu pude ver!

Finalmente pude ver.